Pessoas - A Chave da Mudança
Uma das maiores, se não a maior, preocupação do homem é o seu momento atual.
Sempre cheio de incertezas e instigante, esse nosso mundo globalizado, cada vez
mais dinâmico, acentua essa situação de medo sobre o futuro. Para combater o
medo das incertezas quanto ao seu momento, o homem busca cada vez mais apoiar-se
no conhecimento, ciente de que toda a evolução provoca não apenas mudanças
enormes, novas implicações e responsabilidades, mas que requer sobretudo:
entendimento. Assim, o conhecimento está se transformando no recurso – chave
para o futuro. Não apenas o conhecimento generalizado, mas o especializado.
Esse conhecimento especializado não é obtido do nada. Não adianta desenvolver
pensamentos e conceitos que já existem, julgando-os inexistentes. O conhecimento
precisa ser focado na ciência, no verdadeiro conhecimento teórico.
O pensamento teórico sobrepõe, complementa e aperfeiçoa a perspectiva prática.
Mas, o aspecto importante a ser considerado é a interação entre ambos: teoria e
prática. De nada adianta o conhecimento prático desordenado, bem como o
conhecimento teórico inaplicável ou inexperiente.
Dessa forma, as teorias de mudança organizacional podem privilegiar uma outra
dimensão teórica organizacional específica, de acordo com a perspectiva de
análise que for usada.
A Perspectiva Estratégica parte da premissa que a organização é um sistema
aberto, dinâmico, político-econômico e social, vislumbra-se sua interação com a
sociedade. O agente modificador deve possuir conhecimento sobre aspectos
técnicos e comportamentais de decisão e de solução de problemas, partindo de
diversos pontos e níveis de conhecimento.
O posicionamento da administração deve analisar cada perspectiva ou problema
buscando quase sempre o trabalho em equipe. E trabalhar em equipe significa
levar em consideração os aspectos pessoais e comportamentais. A estratégia da
empresa pode tangenciar a perfeição, porém sem uma equipe motivada, as
resistências tendem a ser muito fortes.
A Perspectiva Estrutural tem a organização como um sistema de regras e normas
que definem autoridade e responsabilidade de seus integrantes, cujos
comportamentos são determinados em prol do objetivo comum, definindo o papel
formal dos funcionários como o fator primordial de eficiência e eficácia.
Dependendo da estrutura utilizada pela organização e a personalidade de cada
integrante, a implementação das mudanças poderá se tornar uma tarefa muito
difícil. Personalidades acostumadas a superar desafios e que apreciem a
competitividade, com ética e responsabilidade social, podem se sentir
desmotivadas em uma organização onde todos os passos são controlados, a
criatividade é inibida e o trabalho em equipe é apenas setorial ou utópico.
É preciso se ter consciência de que mesmo sob aspectos estruturalistas, com
definições de cargos e atividades, níveis de responsabilidade e autoridade, as
expectativas das pessoas devem ser levadas em consideração e utilizadas pela
administração para efetivar o alcance dos objetivos organizacionais.
A Perspectiva Tecnológica preocupa-se com a forma de produzir, com o processo
produtivo propriamente dito, revendo a forma de alocação dos recursos sejam eles
humanos, materiais, ou intelectuais. Basicamente, as mudanças tecnológicas
implicam em novas formas de conhecimento especializado, seja para operar com as
novas máquinas e equipamentos, seja para desenvolver novos processos de produção
ou formas de utilização do conhecimento.
Na Era do Conhecimento, a perspectiva tecnológica mostra-se de forma mais
dinâmica como nunca se viu. Os avanços nas áreas de informações e gestão, isso
se falarmos apenas em administração, são muito sensíveis. O que diferencia
basicamente uma empresa da outra são as formas como estas novas tecnologias são
utilizadas na transformação dos insumos.
Dentro da perspectiva tecnológica também se faz necessário atentar para as
situações do fator humano, tais como ergonomia, resistência a mudanças e
objetivos pessoais. A tecnologia se faz, também, na qualidade de vida no
trabalho. Novos processos são importantes se permitirem que pessoas e a
organização possam atingir seus objetivos em suas expectativas.
Como a globalização e a evolução tecnológica tendem a equiparar as empresas em
níveis cada vez mais elevados, fica o questionamento de como as empresas mais
avançadas tecnologicamente poderão inovar para se manterem competitivas na Era
do Conhecimento.
A Perspectiva Humana parte do pressuposto que se pudéssemos manter as demais
variáveis, tecnológicas, econômicas, políticas em condições estacionadas ou seja
“in ceteris paribus”, as pessoas são o diferencial necessário e motivá-las passa
então a ser o grande diferencial. Comprometê-las, na e com a organização,
torna-se o grande desafio. Ou seja, para se mudar uma organização é necessário
“inovar o contrato psicológico” entre o indivíduo e a empresa equilibrando os
graus de retribuição e contribuição, alterando atitudes, comportamentos e a
forma de participação de cada um dos envolvidos.
Buscar a melhoria de qualquer coisa dentro da organização sem envolver pessoas
torna-se cada vez mais difícil e o nível de conhecimento específico é cada vez
maior e mais necessário. Esse conhecimento deve estar nas pessoas e estas
pessoas devem trabalhar em equipe, de modo a permitir que todos atinjam os seus
objetivos pessoais e organizacionais. O conhecimento tem de ser especializado e
cada um assuma a responsabilidade por sua contribuição bem como a
responsabilidade de ser compreendido.
Esse novo comportamento dentro das organizações tem o indivíduo como ponto de
partida. E suas necessidades, se usássemos a escala de Maslow como exemplo,
fisiológicas, de segurança, mas principalmente as sociais, de auto – estima e de
auto – realização são influenciadoras neste processo. A motivação volta-se para
as metas a serem atingidas. E quando essas metas - necessidades não são
satisfeitas pode gerar frustração, conflito e stress.
A cultura definida como o complexo de padrões de comportamento, hábitos sociais,
significados, crenças, normas e valores selecionados historicamente,
transmitidos coletivamente e que constituem o modo de vida e as realizações de
um grupo humano, tornando uma organização diferente das demais. Por isso, a
Perspectiva Cultural preocupa-se mais com o que é coletivo do que o
comportamento individual.
A cultura de uma organização é sua identidade, seu retrato, com um gerenciamento
extremamente complexo e imprevisível, porém podendo ser aprendida, e as pessoas
podem, aos poucos, adaptarem-se a ela.
O processo de mudança da cultura deve levar em consideração os aspectos
individuais, na medida do possível, para buscar reduzir a resistência existente
e motivar as pessoas sobre todo o processo.
A Perspectiva Política analisa o sistema de poder interno na organização, onde
as pessoas buscam maior influência no processo decisório, através de um jogo
político ou de se desenvolver processos de ganhos e perdas.
Como as pessoas, para atingir seus objetivos, pessoais e profissionais, tendem a
centralizar determinadas fontes de poder, tais como informações e recursos
financeiros, pessoais ou materiais, as prioridades, em um processo de mudança,
precisam ser redefinidas e as fontes de poder reaplicadas de forma a garantir a
implantação da mudança.
Porém, as pessoas envolvidas e que utilizam essas fontes de poder vão resistir e
o processo precisa ser conduzido com eficiência de modo a garantir motivação às
pessoas envolvidas.
Portanto, é a contingência que vai determinar a importância e a ênfase em cada
uma dessas perspectivas. A organização como sistema aberto, e globalizado,
tendem a se livrar dos paradigmas através justamente dessa interdependência e
multidisciplinaridade dos fatores expostos. A grande alavanca para o processo
são as pessoas e as mudanças, devem estar focadas em seu envolvimento nas
atividades e busca de uma melhor qualidade de vida, dentro e fora da empresa.
Edson Gil Administrador
profissional formado pela Universidade Federal de
Pernambuco.
Há 10 anos, é Consultor de empresas em Estratégia
Empresarial e Gerência Competitiva, tendo
realizado consultorias para mais de 90 empresas.
É Palestrante com mais de 150 palestras realizadas
por ano.
Site:
www.edsongil.com.br
Fale com o autor:
contato@edsongil.com.br
Os artigos são
gentilmente cedidos pelo autor. |
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