Espiritualidade
O que seria a espiritualidade? Espiritualidade para o nosso raciocínio é o
equilíbrio de nossas forças internas. É um atributo pessoal que nos dá
serenidade e força para agirmos no mundo exterior. O homem que cuida de sua
espiritualidade é um homem que tem fé. Que acredita no que não vê. Crê naquilo
que sua experiência existencial mais seu esforço intelectual lhe permitem
confiar.
Bem, partindo dessa definição que imaginei, tentarei algumas colocações
pertinentes.
Nós, humanos, conhecemos três princípios energéticos aos quais estamos
submetidos durante nossa vida, que são: o físico, o mental e o espiritual.
Entendemos também que a substância do princípio físico é a força, que é
representada pelos músculos. Assim, é tão mais forte, quanto musculoso for o
homem. Quanto mais vigor físico, mais poder. No começo dos tempos era assim.
Essa supremacia muscular representava a supremacia social para os homens
primitivos – o chefe era o mais forte. Porém com o passar dos tempos, essa
superioridade da força foi confrontada com o pensamento e gradativamente
implanta-se o império do princípio mental, do racional. A Esparta bélica
defronta-se com a Atenas intelectual. Aqui deparamo-nos com o substrato do
princípio mental, que não é outro senão a lógica, o raciocínio correto e
coerente. Mas felizmente a evolução continua e mais e mais pessoas estão
descobrindo que o importante mesmo é o espírito. A matéria morre, se decompõe,
se transforma em pó inerte. Hoje já temos em várias frentes, o reconhecimento do
aspecto espiritual. Quanto mais for verdadeiramente evoluído um povo, tanto mais
será desenvolvido espiritualmente. É bom lembrar que não estamos falando de
religião. Espiritualidade não quer dizer necessariamente religiosidade. Cada
indivíduo pode ser caracterizado por sua religiosidade, suas crenças
particulares e práticas relativas a sua religião, sem no entanto, ter um alto
nível de espiritualidade. Espiritualidade é a ascensão do aspecto espiritual
sobre o mental e o físico. No entanto grande parte da humanidade ainda não
compreende isso. Daí a proliferação de seitas e igrejinhas aqui e acolá. Basta
alguém falar bonito demonstrando um pouco de conhecimento bíblico (leia-se
decoreba da bíblia) e já se tem uma turba de seguidores. Ávidos por saciar suas
necessidade espirituais, seus anseios por felicidade.
Podemos dizer que esse aspecto, objeto de minhas reflexões, é sustentado pela fé
e pela crença inabalável no possível. A um observador sábio, não faltam provas
dos resultados positivos do poder da espiritualidade.
Assim, entendemos, que o homem é um ser composto por matéria e espírito. Porém
hoje, apesar do avanço científico, do desenvolvimento intelectual, o homem
insiste em valorizar mais a matéria em detrimento do espírito. O culto ao corpo
sobrepõe ao do espírito. Assistimos hoje uma explosão de cuidados com a beleza.
Preocupação exagerada com o físico, portanto com a matéria. Preocupação que
chega ser angustiante. Se a mulher veste uma roupa e a sente apertada já é
motivo para se sentir preocupa, é sinal que ganhou uns quilinhos a mais e isso é
terrível.
Academias espalham-se pelas cidades. Programas de emagrecimento com
acompanhamento científico é a coqueluche nos spas. As pessoas se submetem a
variadas torturas. Aplicações de botox, silicone, bronzeamento artificial etc.
As candidatas a modelo chegam à beira da anorexia. Criou-se até uma lei
proibindo o emagrecimento exagerado nas passarelas. Cirurgias as mais diversas
são criadas em nome da beleza, nem sempre em nome da saúde.
Muito bem, e a outra parte? A espiritual. Existe a mesma preocupação com ela? O
que está acontecendo com a nossa espiritualidade? Você se lembra da última vez
que fez um retiro espiritual? Um recolhimento talvez? Uma auto-análise? Uma
introspecção que seja?
Sabemos que o nosso espírito precisa disso, mas sabemos também da dificuldade
dessa prática no mundo pós-moderno. O homem hoje é bombardeado com um número
estratosférico de informações diárias. Isso cria um burburinho tal em sua mente,
que inibe, que dificulta uma meditação mais profunda e eficiente. Ao mesmo tempo
cria em nosso interior um vazio enorme. E essa vacuidade é responsável pela
angústia e pela depressão. Daí o crescente número de pessoas em busca de auxílio
nas clínicas psiquiátricas. O número de profissionais da área psicológica é cada
vez maior. Não é sem razão que o consumo de anti-depressivos no Brasil cresceu
42% nos últimos 4 anos. As pessoas buscam a felicidade em tudo, inclusive, e
principalmente no material, se esquecendo que o eterno é o espírito. Assim sendo
o que devemos fortalecer é o espírito. A fortuna que devemos acumular é aquela
invisível aos olhos. Ela só é percebida pelo sexto sentido. Essa é a riqueza que
realmente vai nos fazer feliz. Em não sendo assim iremos entulhar o nosso cofre
e esvaziar o nosso coração. E aí o que teremos? Um espírito fraco. E nessas
circunstâncias o nosso espírito se encontrará vazio. Com fome. E para fome
espiritual, só alimento espiritual. E não há melhor alimento para o espírito do
que aquele recomendado pelo próprio Cristo: “Tomai e bebei dele todos, pois isso
é o meu sangue…” e “Tomai e comei dele todos, pois isso é a minha carne…”
Evidentemente que aqui carece-se de uma reflexão exegética.
A respeito da riqueza espiritual, cito na íntegra, o que disse Sir John
Templeton, um dos homens mais ricos dos Estados Unidos: “Se não desenvolvermos
um reservatório de riqueza espiritual, provavelmente não há dinheiro que nos
faça feliz. A riqueza espiritual proporcionará a fé, nos dá amor, traz e expande
a sabedoria. A riqueza espiritual leva à felicidade porque nos orienta para
relacionamentos úteis e afetuosos. Tendo a riqueza espiritual como a base e
segurança de nossas vidas, ganhamos uma profunda e duradoura paz que não pode
ser obtida apenas com riqueza material”
A dimensão espiritual está implícita na natureza humana e a vivência espiritual
comumente é uma experiência subjetiva, individual, particular, mas que algumas
vezes pode ser compartilhada com os outros. Isso será explícito, por exemplo, na
prática da solidariedade. Oportunidade de exercitarmos a espiritualidade na
experiência fraterna.
Ainda bem, que já sentimos no homem contemporâneo uma pontinha de preocupação
com o aspecto espiritual. Como já disse, o homem hoje, embora sem saber direito,
está a procura de um caminho espiritual. Quem tem o costume de navegar pela
internet, já percebeu o sem número de mensagens de cunho espiritualista que nos
chegam todos os dias. É a busca de alguma coisa que sacie a sede do espírito. É
a necessidade do ser humano de atender o objetivo para o qual foi criado – ser
feliz.
Concluindo, devemos nos lembrar que, o caminho do aperfeiçoamento espiritual não
é fácil. Obstáculos mil existem, pois os nossos sentidos nos traem, frente ao
chamamento intensivo para o gozo dos benefícios do mundo profano. Mas o sábio
consegue fazer a distinção e certamente encontrará a paz.
Quanto a isso nos faz bem lembrar que: se o leito do rio fosse absolutamente
liso, sem nenhum obstáculo, jamais ouviríamos a música do borbulhar das águas.
José Moreira Filho
Graduado em Ciências Sociais pela FACULDADE DE
FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS DE RIO CLARO – SÃO
PAULO e em Pedagogia pelo ISEP/UEMG-ITUIUTABA-MG.
Especialização em Educação pela UNIFRAN. Casado,
residente em Ituiutaba-MG. Diretor da Assessoria
Técnica de Educação e Cultura de Ituiutaba/1982.
Professor em ambas as Faculdades de Ituiutaba
período de 1987 a 1996. Diretor da Escola Estadual
“Professora Maria de Barros” de Ituiutaba-MG de
1983 a 1987 e professor da Secretaria de Estadado
de Educação de Minas Gerais desde Fevereiro de
1975- hoje aposentado. Membro da Academia de
Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI.
Publica eventuais crônicas e poemas na imprensa de
Ituiutaba. Publicou “O Encontro” na Antologia de
contos da ALAMI (Egil 2005 ) e poemas na III, IV e
V Antologias de Poetas de Ituiutaba (Egil 2003,
206 e 2008 respectivamente)
Pensa o autor que: “...só numa interação
humanizante com a natureza o homem encontrará a
razão de ser de seu mundo”. Alem disso, sua obra é
escrita para um leitor comum que se identificará
com essa ou aquela filosofia de vida.
Fale com o autor:
moreira@baciotti.com
Os artigos são
gentilmente cedidos pelo autor. |
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