O Pensamento Eficiente
Você já parou alguma vez para refletir sobre o pensamento? O que seria esse
processo eletroquímico que impulsiona o mundo? Pois na verdade, tudo que ocorre
no mundo, tem seu princípio nessa fração de segundo, quando um neurônio excitado
formula e transmite uma informação. Daí surgem as idéias, que se agrupam, se
ordenam e se multiplicam, provocando os fatos. E os fatos nos envolvem. Neles
participamos ativa ou passivamente, dependendo do nosso grau de conscientização.
Às vezes deixamos acontecer e nos contentamos só em reclamar. Não nos damos o
trabalho de pensar. É comum ouvirmos a expressão: Ah! não quero nem pensar.
Porque pensar dá trabalho. Principalmente se quisermos pensar logicamente. O
grande racionalista Descartes, descobriu que existia, porque concluiu que
pensava – cogito ergo sum. E nós no Brasil estamos carecendo muito de descobrir
que existimos. Que estamos vivos e precisamos assumir as rédeas de nossa
história.
Bem, mas pensar só não é suficiente. É preciso pensar com lógica e
conjuntamente. É preciso encontrar uma alternativa de poder, sempre democrática,
mas premiada pela ética, que privilegie a participação direta do cidadão, que o
faça sentir realmente dono de seu destino, responsável pelas realizações
governamentais. Medidas tomadas nas caladas das noites, processos votados sob a
égide de negociatas clandestinas, só aumentam a apatia política da sociedade. É
preciso pensar, para o Brasil contemporâneo, um modelo que resgate a eficiência
da democracia participativa. Que concretize a cidadania, sob pena de se avolumar
cada vez mais, a desconfiança na suficiência desse modelo para a solidificação
de uma democracia plena.
Portanto, é necessário o exercício do pensamento para conseguirmos extirpar o
mito de que votando no “menos ruim” estamos cumprindo o nosso dever de cidadão.
Essa teoria, na verdade, está tão somente retirando dos políticos todo o ônus
das mazelas sofridas pela sociedade e jogando-o sobre os ombros do
cidadão-eleitor que não sabe escolher seus representantes. Assim, o cidadão
passa de vítima a culpado.
Isso posto, se refletirmos sobre nossa situação política, iremos saber que
existem alternativas para o modelo democrático atual e que talvez possam ser
melhores para o nosso caso. Podemos sim abdicar desse regime, sem no entanto ter
que cair no outro extremo e ter que aturar regimes totalitários. Mas também sem
ter que assistirmos a um regime de direitos de grupos, que em nome dessa
democracia, privilegia determinados setores em detrimento de outros. Saberemos
ainda que é natural essa situação se considerarmos a crise de legitimidade
vivida pela democracia no final do século XX.
Cabe-nos portanto “esquentar a cabeça” , por os neurônios para funcionar e
trocar as idéias surgidas. Com sinceridade e sem partidarismo. Com otimismo e
sem vinganças políticas. Com diálogo, mas com firmeza de posições e conhecimento
de causa.
Assim podemos lembrar daqueles dois viandantes que se cruzam em uma estrada,
cada um com seu lanche e uma idéia na cabeça. Se trocarem o lanche cada um
seguirá com apenas uma refeição, mas se trocarem as idéias, cada um seguirá seu
caminho com duas idéias.
José Moreira Filho
Graduado em Ciências Sociais pela FACULDADE DE
FILOSOFIA CIÊNCIAS E LETRAS DE RIO CLARO – SÃO
PAULO e em Pedagogia pelo ISEP/UEMG-ITUIUTABA-MG.
Especialização em Educação pela UNIFRAN. Casado,
residente em Ituiutaba-MG. Diretor da Assessoria
Técnica de Educação e Cultura de Ituiutaba/1982.
Professor em ambas as Faculdades de Ituiutaba
período de 1987 a 1996. Diretor da Escola Estadual
“Professora Maria de Barros” de Ituiutaba-MG de
1983 a 1987 e professor da Secretaria de Estadado
de Educação de Minas Gerais desde Fevereiro de
1975- hoje aposentado. Membro da Academia de
Letras, Artes e Música de Ituiutaba – ALAMI.
Publica eventuais crônicas e poemas na imprensa de
Ituiutaba. Publicou “O Encontro” na Antologia de
contos da ALAMI (Egil 2005 ) e poemas na III, IV e
V Antologias de Poetas de Ituiutaba (Egil 2003,
206 e 2008 respectivamente)
Pensa o autor que: “...só numa interação
humanizante com a natureza o homem encontrará a
razão de ser de seu mundo”. Alem disso, sua obra é
escrita para um leitor comum que se identificará
com essa ou aquela filosofia de vida.
Fale com o autor:
moreira@baciotti.com
Os artigos são
gentilmente cedidos pelo autor. |
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