“Um recipiente só é utilizável quando está vazio, e um
espírito cheio de crenças, dogmas, afirmações e citações, é na verdade
um espírito estéril, uma máquina de repetição. Deste estado de vazio é
que tentamos sempre fugir por todos os meios. E é por isso que a
solidão é perigosa. Ela nos coloca em estado de receptividade.
Procuramos, então, aquilo que chamamos de divertimentos, encher o
silencio por barulho que, transportando-nos ao passado ou ao futuro,
nos afastam do vazio. Mobiliamos a solidão com pensamentos defensivos.
Mas esta vacuidade não desaparece. Nós a negamos mas não chegamos a
destruí-la. Se você chegar à evasão total irá parar num asilo de loucos
onde se tornará completamente estúpido. E é exatamente isso o que
acontece hoje no mundo”. A única solução para não se temer esta
vacuidade é não fugir dela e ver a realidade cara a cara, sem palavras,
sem pensamentos.
“O vazio criador não pode ser produzido enquanto o pensador estiver
atento e for observador, a fim de consolidar sua experiência. Se você
quiser esta experiência, a terá. Mas não será o vazio criador. Será a
projeção do seu desejo, a ilusão. Mas comece a observar, a ser
consciente de suas atividades em cada instante, a olhar o conjunto do
seu processo como um espelho, e à medida que se aprofundar chegará,
finalmente, , a esta vacuidade que somente pode produzir a renovação. O
estado de vazio criador não se cultiva; ele chega sem ser convidado. E
somente nele pode acontecer a revolução criadora.”
Esta vacuidade se faz presente quando a vemos como um abismo. Quando a
procuramos ela escapa. Ela não tem lugar, não tem solidez, e por isso
mesmo, por causa desta fluidez, é que aparece somente àquele que não
sabe.
“As idéias não são a verdade. A verdade deve ser vivida plenamente, de
momento a momento. Isto é a verdade. A capacidade de abordar tudo,
instante a instante, à maneira de um ser novo, não condicionado pelo
passado, de maneira que não existam mais efeitos cumulativos agindo
como uma barreira entre o eu e aquilo que é. A idéia só para quando há
amor. E este não é memória nem experiência. O amor não pensa.”
A mobilidade da verdade precisa de uma grande mobilidade de ação
acessível àquele que não se prende a nada, àquele que é livre como o
vento por que viu a realidade. A rapidez de sua percepção engloba a
verdade que é através de todas as evoluções. Não há mais fixidez,
fórmulas, mas liberdade luminosa. Isento de toda formação, ele não é
prisioneiro de nenhuma fórmula, não há mais busca ou espera da
realidade. Os limites do pensamento foram ultrapassados, ele atingiu o
inexprimível, o “sem palavras”. “Se a verdade era um ponto fixo, não
era a verdade, mas apenas uma opinião. A verdade é o desconhecido e
aquele que a busca nunca a encontrará, porque todos os elementos que a
compõem pertencem ao conhecido. O espírito é o resultado do passado, um
produto do tempo. É o instrumento do conhecido e não pode descobrir o
desconhecido. Pode ir apenas do conhecido ao conhecido.”
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